Avaliação da Competência Leitora de Educandos do Primeiro Ano do Ensino Fundamental
1. Introdução
Ao vivenciarmos a inclusão das crianças menores de sete anos na aprendizagem da leitura e da escrita no ensino fundamental de nove anos, nos deparamos com a discussão acerca do ensino e da aprendizagem da leitura e da escrita, sob esta nova perspectiva e desafio, revela-se uma complexidade e uma necessidade de se explicitar os diferentes pontos de vista diante de uma teoria e uma prática quando se fala em antecipação de aprendizado ou compensação em etapas posteriores da educação básica.
Vejo que ao refletirmos sobre esta didática devemos primeiramente respeitar a criança e seu tempo de vida, permitir que a criança se desenvolva no processo de letramento de maneira diversificada, lúdica e efetiva, interagindo com o universo infantil.
1.1 Justificativa
Atualmente é comum encontrarmos crianças e adultos com dificuldades na interpretação e compreensão desde textos mais simples até as leituras mais específicas e complexas, tal fato ocorre devido à falta de leitura ativa no cotidiano, a informação direta por meios televisivos e mídias em geral trazem informações simples e diretas facilitando a compreensão e tornando a maioria da população ociosa em leituras competentes.
Conforme podemos verificar de acordo com Freire (1989), a “leitura de mundo” precede a leitura da palavra, sendo assim a compreensão do texto se dá a partir de uma leitura crítica, relacionando o texto e o contexto, o leitor crítico deixa de ser apenas um decodificador de sinais e sim um construtor textual no processo da leitura.
Este trabalho visa intensificar a necessidade do desenvolvimento de indivíduos com leitura competente, os tornando cidadãos críticos, responsáveis e construtivos diante da sociedade, utilizador do bom diálogo e da boa escrita como forma de mediar conflitos e na tomada de decisões coletivas, assim como é garantido nos Parâmetros Curriculares Nacionais.
Diante desta perspectiva, a evolução histórica da linguagem, a própria estrutura do significado e a sua natureza psicológica mudam de acordo com o contexto vivido. A partir das generalizações primitivas, o pensamento verbal eleva-se ao nível dos conceitos mais abstratos. (Vigotski,1997:30). Não é simplesmente o conteúdo de uma palavra que se altera, mas o modo pelo qual a realidade é generalizada em uma palavra. O significado dicionarizado de uma palavra nada mais é do que uma pedra no edifício do sentido; não passa de uma potencialidade que se realiza de formas diversas na fala. (Vigotski,1998:156)
1.2 Problema
Avaliar a Competência Leitora de Educandos do Primeiro Ano do Ensino Fundamental, é algo de extrema importância para o reconhecimento da real do desenvolvimento do processo de alfabetização e letramento.
Ler é uma atividade muito comum na vida profissional e não profissional. É a leitura o que fica da escola para a vida, muito mais que a escrita. A leitura é, nas palavras de Cagliari, “o maior tesouro legado pela escola”.
1.3 Hipótese
Sabendo que a leitura competente é fundamental para o desenvolvimento integral do indivíduo dentro da sociedade, devemos estar constantemente avaliando o perfil leitor e buscando novas metodologias para o desenvolvimento do mesmo. Para tanto ao retratarmos a fiel realidade leitora de indivíduos do primeiro ano do ensino fundamental temos a oportunidade de iniciar um trabalho que auxilie o educando em seu desenvolvimento da leitura e escrita.
1.4 Revisão da Literatura
Para os autores Alliende e Condemarín (2005, p. 24),
Mesmo que a aquisição da leitura possa ser descrita por meio de etapas gerais, as crianças adquirem a leitura e a escrita com diferentes ritmos mediante uma variedade de caminhos. As tentativas de estabelecer sequencias claramente delimitadas, como no caso da maioria dos programas de preparação, não levam em conta as variações do desenvolvimento. (Alliende;e Condemarín, 2005, p. 24).
Golbert é decisiva ao afirmar que “uma boa parte das dificuldades existentes na escola serão superadas se as metodologias de ensino considerar os princípios básicos que dirigem a linguagem oral (p.110)”.
“Em sociedade, são múltiplos e diversificados os usos da leitura. Lê-se para conhecer.
Lê-se para ficar informado. Lê-se para aprimorar a sensibilidade estética. Lê-se para fantasiar e
imaginar. Lê-se para resolver problemas. E lê-se também para criticar e, dessa forma
desenvolver posicionamentos diante dos fatos e das idéias que circulam através dos textos”.
(SILVA,1998 b:27).
A SECRETARIA MUNICIPAL DA EDUCAÇÃO DE BARRETOS (2009) no Programa TOPLE, segundo a psicologia psicolingüística, ao ensinar a leitura, o educador precisa conhecer os processos mentais (cognição) que estão por detrás do comportamento leitor do educando: memória, atenção, percepção, transferência de aprendizagem, repertório, conhecimentos prévios, estabelecimentos de relações, etc.
2. Objetivos
2.1 Objetivo Geral
O objetivo da pesquisa baseia-se então em verificar o perfil leitor de crianças do primeiro ano do ensino fundamental durante o processo de alfabetização e letramento.
Diante de tal objetivo é necessário afirmar que a avaliação deve ultrapassar os limites da competência gramatical dos falantes expandindo as perspectivas, assim como nos afirma MARCUSCHI, que não fique na epiderme do dito ou supostamente literal.
2.2 Objetivos Específicos
Verificar o perfil leitor quanto à compreensão, a interpretação e a identificação textual.
Sabemos que é nos processos da leitura, escrita e reescrita de textos, que ocorrem a compreensão dos educandos das normas convencionais, sem que ocorra necessidade de memorização de uma infinidade de regras e exceções, próprias de nossa língua portuguesa.
Sendo assim verifica-se a importância em se propiciar a leitura atraente e diversificada, promovendo uma efetiva prática de forma lúdica e atraente.
A esse respeito Zilberman (2003, p. 16) descreve que:
"... a sala de aula é um espaço privilegiado para o desenvolvimento do gosto pela leitura, assim como um campo importante para o intercâmbio da cultura literária, não podendo ser ignorada, muito menos desmentida sua utilidade. Por isso, o educador deve adotar uma postura criativa que estimule o desenvolvimento integral da criança."
3. Metodologia
A literatura infantil é como uma manifestação de sentimentos e palavras, que conduz a criança ao desenvolvimento do seu intelecto, da personalidade, satisfazendo suas necessidades e aumentando sua capacidade crítica. Esta literatura tem o poder de estimular e/ou suscitar o imaginário, de responder as dúvidas do indivíduo em relação a tantas perguntas, de encontrar novas idéias para solucionar questões e instigar a curiosidade do leitor. Nesse processo, ouvir histórias tem uma importância que vai além do prazer. É através de um conto e/ou de uma história, que a criança pode conhecer coisas novas, para que efetivamente sejam iniciados a construção da linguagem, da oralidade, idéias, valores e sentimentos, os quais ajudarão na sua formação pessoal.
Assim sendo utilizamos como metodologia para a avaliação uma pequena parlenda, conhecida como “A Casinha da Vovó”.
3.1 Tipo de Pesquisa
Esta pesquisa tem por finalidade avaliar e descrever o perfil leitor de educandos do primeiro ano do ensino fundamental, sendo esta uma pesquisa de levantamento em campo, descritiva e de natureza qualitativa.
3.2 Universo e Amostra
Educandos matriculados na rede municipal de ensino.
3.3 Seleção dos Sujeitos
A pesquisa será realizada ao longo de uma semana em apenas uma das classes da escola.
A sala escolhida será obrigatoriamente um primeiro ano, com indivíduos entre cinco e seis anos de ambos os sexos.
3.4 Elaboração do Instrumento
A pesquisa será efetuada diante de um trabalho que será realizado ao longo de uma semana onde os educandos serão apresentados ao texto “ A Casinha da Vovó”, o trabalho envolverá, a confecção de cartazes, leituras compartilhadas, reescritas, atividades textuais relacionadas ao texto, ditados entre outros recursos possíveis que facilitem a absorção do conhecimento e compreensão textual.
Ao final da semana será aplica uma avaliação diagnóstica que será aplicada de forma individual e buscará no educando o conhecimento e a compreensão do texto trabalhado durante a semana.
3.5 Coleta de Dados
Os dados coletados para atender os objetivos de avaliar a competência leitora dos educandos serão: a compreensão, a interpretação e a identificação textual, dos indivíduos.
Diante dos critérios da Capacidade Leitora:
- sabe decodificar palavras
- sabe reconhecer globalmente as palavras
-Lê e compreende a frase
- Compreende o texto
-Localiza informações no texto.
3.6 Tratamento dos Dados
Os dados coletados servirão para a construção de uma tabela individual por educandos e um gráfico geral da sala.
Tendo como base a Matriz de Referencia que se divide em duas dimensões,
1ª Dimensão- Objeto do Conhecimento (tópicos)
2ª Dimensão- Competências (descritores que indicam habilidades a serem avaliadas)
Tópico 1 – Procedimentos de Leitura
D1 – Localizar informações explícitas no texto
D2 – Inferir sentido a uma palavra ou expressão
D3 – Inferir uma informação implícita no texto
D6 – identificar o tema do texto
Tópico II – Implicações de suporte, do gênero e ou enunciados a compreensão do texto.
D5 – Interpretar o texto com auxílio de material gráfico diverso, propagandas, quadrinhos, etc.
Os dados serão aplicados na construção do gráfico que terá como critério de avaliação os itens:
- Sim
- Não
- Nem sempre
- Com dificuldade
Assim, diante das avaliações e gráficos poderemos alcançar o percentual dos descritores que alcançam os níveis de competência leitora, sendo estes pontuados da seguinte forma:
- 2 – Insuficiente
- 4 – Abaixo do Básico
- 6 – Básico
- 8 – Proficiente
- 10 – Avançado
5. Referências Bibliográficas
ALLIENDE, Felipe; CONDEMARÍN, Mabel. A Leitura: Teoria, Avaliação e Desenvolvimento. 8. Ed. Artmed, 2005, cap. 1, p. 24.
BORDINI, M.G. e AGUIAR, V.T. Literatura: a formação do leitor - alternativas metodológicas. 2.ed., Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993.
CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e lingüística. São Paulo: Scipione, 1989.
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler em três artigos que se completam.23ª. ed. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989.
GOLBERT, C. S. (1988). A Evolução Psicolinguística e suas implicações na Alfabetização: Teoria, Avaliação, Reflexões. Porto Alegre: Artes Médicas.
MARCUSCHI, L.A . Leitura como processo inferencial num universo cultural cognitivo, Anais I Encontro Interdisciplinar de Leitura, Londrina, 1984.
MEC – PDE, A criança de seis anos, a Linguagem Escrita e o Ensino Fundamental de Nove Anos, Orientações para o trabalho com linguagem escrita em turmas de crianças de seis anos de idade, 1ª ed. Brasília, 2009.
PROGRAMA TOPLE- TODOS PELA LEITURA E ESCRITA, 1, 2009, Barretos, Professora Regina Maria Dechen Junqueira Franco, SME, 2009.
SILVA, E. T. O ato de ler. 4ª ed. São Paulo: Cortez, 1987.
VYGOTSKI, Liev Semiónovittch. A formação social da mente. 2.ed.São Paulo: Martins Fontes, 1997.
VYGOTSKI, Liev Semiónovittch. Pensamento e linguagem. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
ZILBERMAN, Regina. A literatura infantil na escola. 11. ed. São Paulo: Global, 2003.