ANA AMÉLIA MARCONDES LEIVA - Acadêmica







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Olá eu sou a Ana Amélia, Licenciada em Pedagogia Plena e em Educação Física pela Universidade Federal de Brasília, Especialista em Metodologia do Ensino Fundamental pela Universidade Federal de Goiás e especializanda em Planejamento Gestão e Implementação de Educação à Distancia, moro em Barretos, Amo Minha Vida, Meu Filho, Meus Pais, Minha Família, Meu Trabalho e Meus Maravilhosos Amigos.

terça-feira, 8 de maio de 2012

EDUCAÇÃO FÍSICA E A DISCIPLINA CULTURA DE PAZ NAS ESCOLAS MUNICIPAIS DA CIDADE DE BARRETOS

"Acostumamos a procurar as causas do nosso sofrimento fora de nós mesmos, ou seja, no outro, na economia, no ambiente externo. Precisamos admitir que as raízes das nossas dores estão dentro de nós mesmos, nossas emoções destrutivas como o ódio, a ambição, a raiva, o ciúme, a inveja, entre outras. Investigá-las, sondar como aparecem e analisar suas consequências para dissipá-las é o caminho seguro para sermos felizes e reduzir a violência nas nossas relações.”


João Roberto Araújo.



RESUMO

Este trabalho tem por objetivo analisar a inserção dos conteúdos da educação física na disciplina cultura de paz, na cidade de Barretos, no ciclo I do ensino fundamental. Atualmente a disciplina cultura de paz é desenvolvida pelos professores de educação básica do ensino fundamental ciclo I, como tema transversal, no entanto o professor de educação física é totalmente alheio a disciplina de paz, assim sendo nossa pesquisa pretende investigar a possibilidade da formação continuada do professor de educação física para a disciplina cultura de paz e o trabalho conjunto da disciplina de paz juntamente com a disciplina da educação física, assim como ocorrem com as outras disciplinas na cidade de Barretos. O trabalho foi pautado além das referencias bibliográficas, também em uma entrevista com as Professoras de Educação Básica e com os Professores de Educação Física em uma instituição de ensino, objetivando esclarecer as dúvidas pertinentes a nossa pesquisa. O resultado do trabalho foi deveras satisfatório tendo em vista, que vieram elucidar a compreensão diante das questões elencadas diante do enlace das disciplinas aqui propostas tendo em vista que um dos objetivos principais das duas disciplinas é a formação para a cidadania oportunizando assim o desenvolvimento de uma sociedade solidária e tolerante.





Palavras Chave:. Educação Física, Cultura de Paz e Capacitação

INTRODUÇÃO




A educação para a paz na cidade de Barretos é um trabalho realizado nas escolas que busca a paz e a não violência, objetivo este que ficou definido a partir da lei municipal nº 69 de 29 de maio de 2009, tendo sua aplicabilidade no ano de 2010.

O Programa Cidades pela Paz, busca conscientizar em relação à ética da compreensão e da diversidade.

A partir do ano de 2010 foi incluída na grade curricular do ensino fundamental ciclo I, na cidade de Barretos a disciplina Cultura de Paz, que visa orientar o educando diante de uma aprendizagem emocional buscando assim a paz e a não violência.

A escola é um dos ambientes sociais em que são refletidos as reais condições de nossa sociedade, sociedade esta que tem se mostrado intolerante, impulsiva, radical e com grande dificuldade na solução de conflitos cotidianos.

O Programa Cultura de Paz culminou na elaboração da disciplina obrigatória desenvolvida por todos os componentes curriculares, como tema transversal na cidade de Barretos.

Ao afirmarmos que a disciplina é tratada como tema transversal, podemos esclarecer que tal fato ocorre diante da realidade do ciclo I do ensino fundamental, onde existe apenas um professor polivalente que ministra as disciplinas, português, matemática, ciências, geografia, história entre outros, exceto a educação física.

No inicio do ano letivo os professores de educação básica recebem uma formação específica para a aplicação da disciplina cultura de paz.

Assim sendo, a disciplina Cultura de Paz procura a formação de cidadãos conscientes de suas emoções e frustrações, com auto-estima e autoconhecimento desenvolvidos suficientemente em busca de duma convivência harmônica com a sociedade.

No entanto atualmente o tema é tratado somente pelas professoras de educação básica I, conhecidas também como professoras generalistas ou polivalentes, tornado a disciplina da educação física totalmente alheia ao processo da formação para a paz.

A inclusão dos professores de educação física no processo de aprendizagem do programa cultura de paz inicia o questionamento em relação da realidade na qual a sociedade atual está inserida.

Diante da intenção em estabelecer relações entre as aulas de Educação Física e a disciplina Cultura de Paz e assim verificar a oportunidade de uma maior amplitude e absorção dos conhecimentos relacionados geração e fundamentação de valores cívicos, responsabilidades sociais, respeito ao próximo entre outros.

A principal intenção ao realizar esta pesquisa é que as aulas de educação física não fiquem aleatórias a disciplina cultura de paz, tendo em vista que na proposta da disciplina existem várias atividades que podem ser amplamente vivenciadas juntamente com o professor de educação física e em determinadas situação até mesmo com maior aproveitamento do trabalho tendo em vista o conhecimento específico em que o profissional de educação física é habilitado.

O principal objetivo da pesquisa neste sentido seria uma reflexão em analisar a possibilidades de inserção de conteúdos da Educação Física na Disciplina Cultura de Paz em Barretos, concomitantemente analisar como o Programa Cultura de Paz é realizado nas escolas municipais da cidade de Barretos; verificar se as ações desenvolvidas na disciplina que podem ter relações com a área da Educação Física e ainda Justificar a importância da educação Física no desenvolvimento da Disciplina Cultura de Paz.

Sabendo que, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, as aulas de educação física devem também visar à cidadania, vejo que as aulas de educação física são uma excelente oportunidade para que se desenvolvam atitudes solidárias, cooperatividade, respeito ao próximo e a si mesmo, objetivos estes muito comuns na disciplina cultura de paz.

É possível verificar assim que existe um grande número de objetivos relacionados a educação física e a cultura de paz, foi então que iniciamos o questionamento central, “Por que a Educação Física não está relacionada ao Programa Cultura de Paz?”, outra situação que me fez preocupar com a questão foi a condição em que algumas professoras preferem não realizar as atividades práticas propostas pelo programa, verifiquei nesta situação também que o profissional de educação física poderia auxiliar e intervir com sucesso neste processo.

Ao direcionar um cuidadoso olhar para a Disciplina Cultura de paz pude notar que a Educação Física tem muito a colaborar no desenvolvimento de valores, na geração de saberes pacíficos e tolerantes, por este motivo vejo que a cultura de paz pode e deve ser trabalhada tanto nas aulas comuns quanto nas aulas de educação física.

Pode-se justificar a relação da Educação Física e a Cultura de Paz quando evidenciamos o trabalho com conteúdos da educação física, conteúdos estes como os jogos e as brincadeiras populares, brincadeiras e cantigas de roda, jogos cooperativos, danças folclóricas, danças de rua e danças criativas e quem sabe até lutas, como judô, capoeira, entre outros.

Ainda de acordo com o PCN os objetivos da educação física seriam a participação de atividades corporais, estabelecendo relações equilibradas e construtivas com os outros , reconhecendo e respeitando características físicas e de desempenho de si próprio e dos outros, sem discriminar por características pessoais, físicas, sexuais ou sociais.

O objetivo principal do nosso trabalho seria então analisar a possibilidades de inserção de conteúdos da Educação Física no Programa Cultura de Paz em Barretos.

Diante de tais inquietações notórias no cotidiano escolar, fica explícita a necessidade em realizar este estudo, no qual através de um trabalho com professores de educação básica e professores de educação física, realizado através de uma entrevista semi estruturada, com um questionário orientador, buscamos a resposta deste estudo de caso.

Para uma melhor compreensão do trabalho que se segue, o mesmo foi dividido em três capítulos. O primeiro capítulo aborda uma fundamentação teórica sobre Violência e Cultura de Paz, definindo conceitos comparando-os e discutindo-os. O segundo capítulo objetiva falar sobre a Educação, a Educação Física e a Cultura de Paz, sua importância e o que as pesquisas mais recentes dizem sobre isso. O terceiro capítulo segue para o relato do estudo do caso, bem como o desenvolvimento do trabalho e as análises dos resultados, culminando assim nas Considerações finais que não poderemos considerar como finais, tendo em vista que tanto este estudo e o estabelecimento de relações entre as disciplinas é um tema muito recente para que alcancemos resultados que evidenciem uma resposta definitiva.



































VIOLÊNCIA E A CULTURA DE PAZ

A Organização das Nações Unidas definiu Cultura de Paz, na Declaração e Programa de Ação sobre uma Cultura de Paz, em 13 de setembro de 1999, da seguinte maneira:

“Uma Cultura de Paz é um conjunto de valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilos de vida baseados: No respeito à vida, no fim da violência e na promoção e prática da não-violência por meio da educação, do diálogo e da cooperação; No pleno respeito aos princípios de soberania, integridade territorial e independência política dos Estados e de não ingerência nos assuntos que são, essencialmente, de jurisdição interna dos Estados, em conformidade com a Carta das Nações Unidas e o direito internacional; No pleno respeito e na promoção de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais; No compromisso com a solução pacífica dos conflitos; Nos esforços para satisfazer as necessidades de desenvolvimento e proteção do meio-ambiente para as gerações presentes e futuras; No respeito e promoção do direito ao desenvolvimento; No respeito e fomento à igualdade de direitos e oportunidades de mulheres e homens; No respeito e fomento ao direito de todas as pessoas à liberdade de expressão, opinião e informação; Na adesão aos princípios de liberdade, justiça, democracia, tolerância, solidariedade, cooperação, pluralismo, diversidade cultural, diálogo e entendimento em todos os níveis da sociedade e entre as nações; e animados por uma atmosfera nacional e internacional que favoreça a paz” (pag. 3)



Verifica-se neste documento que a cultura de paz é um programa de ação e de reconhecimento global, que busca a promoção da paz respeitando os direitos humanos e apresentando a oportunidade em se desenvolver uma sociedade democrática, justa, participativa, onde seja possível a convivência harmônica entre seus indivíduos em um ambiente solidário e próspero.

A formação para paz interfere direta e positivamente no comportamento social dos discentes, enaltecendo o comportamento pacífico, valores humanos, sendo assim acredita-se que os conteúdos de natureza atitudinal podem e devem fazer parte da educação no ambiente escolar

De acordo com Cleo Fante (2005, p.213)



"A educação é o caminho que conduz à paz. A solidariedade, a tolerância e o amor são os ingredientes que compõem o antídoto contra a violência e que deve ser aplicado no coração de cada criança, de cada adolescente, de cada jovem, enfim, no coração de todos os seres humanos, em especial no coração daqueles que se dedicam à arte de educar."



O trabalho realizado no ambiente escolar deve propiciar a utilização do bom diálogo como meio de solução de problemas, minimizando a violência inter-relacional, neutralizando o autoritarismo e a violência.

A Organização Mundial da Saúde define a violência pelo



uso intencional da força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação. (O. M. S., 2002, p. 20)



Autores, como Yves Michaud, afirmam que a violência são atos, que em determinados momentos um indivíduo obriga o outro a agir de maneira contrária a sua vontade e/ou ainda quando o outro é impedido de agir de acordo com sua própria vontade.



"Há violência quando, numa situação de interação, um ou vários atores agem de maneira direta ou indireta, maciça ou esparsa, causando danos a uma ou várias pessoas em graus variáveis, seja em sua integridade física, seja em sua integridade moral, em suas posses, ou em suas participações simbólicas e culturais."(MICHAUD, 1989, p. 12)



Ao notar que a violência tem se tornado uma constante em nosso cotidiano comum, se faz necessário refletir sobre uma nova didática em prol de uma educação transformadora, que busque a resolução de conflitos de forma criativa e pacífica, orientando em uma resolução orientada por princípios como cooperação, solidariedade, igualdade e respeito, oportunizando a renovação da ética.

Pode-se ainda considerar para um entendimento básico que a Cultura de Paz, segundo a UNESCO, seria:



"A cultura da paz se constitui dos valores, atitudes e comportamentos que refletem o respeito à vida, à pessoa humana e à sua dignidade, aos direitos humanos, entendidos em seu conjunto, interdependentes e indissociáveis. Viver em uma cultura de paz significa repudiar todas as formas de violência, especialmente a cotidiana, e promover os princípios da liberdade, justiça, solidariedade e tolerância, bem como estimular e compreensão entre os povos e as pessoas" (apud MILANI, 2003, p. 36).



Considerando Milani, o conceito de cultura de paz está em construção, sendo assim fonte de demasiados estudos e debates permitindo assim “que equilibre especificidade e abrangência, consistência e fluidez, bem como aplicabilidade aos inúmeros contextos e realidades” (MILANI, 2003, p. 37).

A evidencia de que o conceito de cultura de paz está em formação fica explícita diante da afirmação de Milani:



"No que se refere à escola, a abordagem da Cultura da Paz ressalta diversas necessidades e estratégias: uma relação educador-educando fundamentada no afeto, respeito e diálogo; um ensino que incorpore a dimensão dos valores éticos e humanos; processos decisórios democráticos, com a efetiva participação dos alunos e de seus pais nos destinos da comunidade escolar; implementação de programas de capacitação continuada de professores; aproveitamento das oportunidades educativas para o aprendizado do respeito às diferenças e a resolução pacífica de conflitos; abandono de modelo vigente de competição e individualismo por outro, fundamentado na cooperação e no trabalho conjunto, etc." (2003, p.39)



Mesmo considerando que a cultura de paz é um conceito que se encontra em constante formação, é preciso que o professor esteja preparado para um trabalho que evidencie a boa convivência e a disciplina, condições que devem ser tratadas como meio e como fim, como meio pois atuam como instrumentos pelo qual as situações cotidianas acontecem da melhor forma diante de prazos e padrões e como fim, pois é através destas condições que se torna possível o desenvolvimento de atitudes como concentração, responsabilidade, interesse e principalmente a formação para a cidadania.

Segundo Aquino (1996), existem relatos de professores revelando que a grande barreira para a formação efetiva nas escolas seriam a desordem, a falta de limites, o maus comportamento, o desrespeito as regras, aos colegas e as autoridades do ambiente escolar, entre outras formas de indisciplina, indisciplina esta que pode ser considerada a grande inimiga da instituição de ensino, no entanto esta indisciplina pode não ter suas raízes na escola, porém vem se adentrar e se ramificar pelas salas de aula, fato que determina uma ação educativa que promova a disciplina.

Tal sonhada disciplina, pode e deve ser ensinada na escola, tendo em vista que atualmente vivemos uma inversão de papeis, onde a escola tem a função de educar e ensinar, acolhendo a todos os educandos sem exceção, disciplinados ou não, a disciplina deve ser encarada como qualquer outra competencia a ser desenvolvida pelo educando, como atividade interdisciplinar, focando a formação de uma comunidade tolerante e justa.

Borin (2004) destaca, é possível notar que estamos inseridos em uma sociedade violenta, fator que reflete na sociedade educacional violenta e também excludente, onde o indivíduo vivencia experiências cada vez mais individualistas, injustas, intolerantes, fazendo parecer que estes comportamentos são normais aos seres humanos, deixando de buscar a pacificidade e o bem estar comum.

É comum conceituarmos a violência diante de uma visão moralizante, que está diretamente relacionada a vontade do educando, no entanto é preciso observar que a sociedade em si já está modelada para a indisciplina, o exemplo pode ser um bom aliado para a formação significativa, diante da formação de regras que sejam construídas e não impostas.

Para Morais (1995), o campo educacional trata a violência por meio da omissão, qualificando o professor como habilitado para intervir diretamente nas vidas de seus discentes, caráter atribuído pela escola e pelos pais. O autor alerta que o ideal na solução dos conflitos é principalmente o diálogo aberto, neutralizando assim o autoritarismo e a intolerância.

Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 2001), existe todo um trabalho direcionado para a dimensão atitudinal que enfocam a formação de normas, valores e atitudes, diante do ambiente social educacional. Tal condição aplicada ao cotidiano da instituição de ensino, adverte que toda a equipe da instituição deve assumir uma posição crítica em relação aos valores transmitidos cotidianamente através de exemplos, fato que se torna um grande desafio, tendo em vista que não é o bastante ensinar valores e atitudes através de uma ação pedagógica é preciso desenvolver a prática da formação de valores e atitudes.

A disciplina de Cultura de Paz caminha no sentido de cultivar a amizade, o diálogo, compreensão, colaboração e harmonia social. Apresenta atividades aos alunos e propostas aos professores de forma que possuam instrumentos para que tais habilidades sejam desenvolvidas junto aos pequenos. pois como afirma FANTE, 2005, p. 93:

“... se a violência é um comportamento que se aprende nas interações sociais, também existem maneiras de ensinar comportamentos não violentos para que se possa lidar com frustrações e com raiva, e ensinar habilidades para que os conflitos interpessoais possam ser solucionados por meios pacíficos. Portanto, a violência pode ser desaprendida e a tolerância e a solidariedade ensinadas”.





Diante de tais leituras pode-se considerar que o trabalho voltado para a educação de paz seja fundamental em despertar nas crianças habilidades que as tornem capazes em solucionar conflitos de forma saudável e pacífica, refletindo sobre a importância em se conviver harmonicamente.

Sendo a Cultura de Paz um processo que deve ultrapassar as barreiras da escola, acredito que o mesmo também deva ultrapassar as barreiras da sala de aula, alcançando toda a escola inclusive as “quadra”, ou melhor, as aulas de educação física tornando a prática uma filosofia de vida.







EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO FÍSICA E CULTURA DE PAZ



Segundo Araújo (2008), a aprendizagem emocional visa através de programas específicos elevar o nível de competência social e emocional das crianças como parte de sua educação regular, ensinando um conjunto de aptidões e compreensões emocionais para cada criança, como controlar o impulso, a raiva e como encontrar soluções criativas para provações sociais.

Refletir sobre as aulas de educação física, nos faz perceber que atualmente é necessário um trabalho efetivo e constante na dimensão atitudinal quando a aula requer contato direto entre educandos.

É importante salientar que as situações de violência ocorrem nas mais diversas áreas sociais, inclusive no ambiente escolar, tal fato ocorre em sua maioria das vezes diante do fato de o indivíduo não conseguir lidar com as emoções, percebe-se então a necessidade em se trabalhar a aprendizagem emocional ou alfabetização emocional “a área de Educação Física hoje contempla múltiplos conhecimentos produzidos e usufruídos pela sociedade[...] expressão de sentimentos, afetos e emoções “(PCN Educação Física, 2001, p.27)

Para Morin (2003, p. 40) a relação interpessoal ocorre muito além do relacionamento entre semelhantes próximos e sim a toda humanidade, para tanto a educação deve também basear-se na formação de valores humanos e colaborar com o desenvolvimento moral e ético, almejando assim o bem ser e estar da raça humana.

Ainda segundo o pensamento de Morin ( 2003, p. 106), a educação



(...) deve contribuir para a formação de uma consciência humanística e ética de pertencer à espécie humana, que só pode ser completa com a consciência do caráter matricial da Terra para a vida, e da vida para a humanidade.



Segundo Diskin e Roizman (2002, p. 9) Educar para a paz se faz necessário, e para tanto é preciso que o educador promova o bem de seus educandos, a educação ocorre a partir da transformação de conceito como ensinar e aprender, deixando de ser uma mera transmissão de saberes em formação para a paz.

Ao estabelecermos relações entre a educação e a paz, estamos auxiliando o indivíduo a alcançar uma realização tanto no plano psicológico quanto no plano físico, diante de um efetivo significado para a vida pessoal, sócio-cultural, dinamizando ainda a compreensão do "ser".

Cuidar da Paz é investir em nosso potencial de inteireza,

de integralidade, de conectividade e de comunhão. É

conquistar um centro, que nos direcione para o bem

viver e conviver, para transparecer. Estar em paz é estar

centrado. Comum centro, em lugar algum seremos

estrangeiros... Não basta existir, há que viver. Não basta

viver, há que ser. Não basta ser, há que transparecer. Não

basta transparecer, há de servir. (CREMA, 2001, p. 06)



Educar para a paz é um trabalho profundo do resgate da dignidade da humanidade, por mais que almejar alcançar este objetivo, pareça utópico nos dias de hoje, não podemos ou melhor não devemos, diante do fato de atuarmos como educadores e mais ainda enquanto seres históricos que somos, permitir que os sentimentos bons sejam destruídos por um cotidiano corrompido pela intolerância e pela injustiça, é preciso refletir e buscar novas metodologias que propiciem e oportunizem sensações pacíficas.

Para Morin (2008) são sete os saberes da educação do futuro, saberes estes que deveriam ser disseminados por toda a sociedade, o autor deixa claro em seu livro "Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro" os problemas fundamentais para a educação., sendo eles as cegueiras do conhecimento, os princípios do conhecimento pertinente, ensinar a condição humana, ensinar a identidade terrena, enfrentar as incertezas, ensinar a compreensão e a ética do gênero humano. Tais princípios, oportunizam a construção de uma educação com bases sólidas para que se alcance os ideais de paz e a solidariedade humana.

Outro documento importante é a Carta Internacional da Educação Física e do Desporto, adotada pela Conferência Geral da UNESCO, em 1978. Desse texto, destacam-se algumas assertivas, a saber:





• Todo ser humano tem o direito fundamental de acesso à educação física e ao desporto. A liberdade de desenvolver capacidades físicas, intelectuais e morais por meio da educação física e do desporto deve ser garantida tanto no âmbito do sistema educacional quanto em outras áreas da vida social.



• A educação física, estabelecendo relações com outros componentes curriculares, deve desenvolver capacidades, força de vontade e autodisciplina de cada ser humano como membro integrado da sociedade, atendendo às suas exigências e características pessoais, bem como às condições de cada país.

• Pessoal capacitado, instalações e equipamentos suficientes devem ser assegurados para a participação segura tanto na escola quanto fora da mesma.

Fonte: Carta Internacional da Educação Física e do Desporto ( 1978)



A partir desta carta é possível compreender a dimensão em que a educação física se encontra, quanto aos seus valores na busca da promoção da aprendizagem do educando, bem mais que um direito do educando e um dever do estado, a educação física é necessária para o desenvolvimento integral e integrado do educando.

Relacionada à educação física, ao desporto e a outras áreas dos currículos, encontra-se a Carta Internacional de Educação para o Lazer (1978), que situou o lazer como direito humano básico.

No que se refere à educação, desse documento se destacam:



• A educação para o lazer desempenha papel importante na diminuição de diferenças das condições de lazer e na garantia de igualdade de oportunidades e recursos.

• A meta da educação para o lazer é ajudar estudantes a alcançarem uma qualidade de vida desejável pelo lazer. Isso pode ser obtido pelo desenvolvimento e pela promoção de valores, atitudes, conhecimentos e aptidões de lazer por meio do desenvolvimento pessoal, social, físico, emocional e intelectual.

• Entre as metas de ensino de lazer na comunidade, a Carta salientou o desenvolvimento da capacidade individual e grupal de melhorar a qualidade de vida por meio do lazer e ampliar a organização autogerida; o trabalho com os grupos comunitários para minimizar as barreiras e otimizar o acesso

a serviços de lazer e a promoção do aprendizado durante todo o ciclo da vida humana como meta viável.

Fonte: Carta Internacional de Educação para o Lazer (1978)



Ainda diante dos direitos elencados na Carta Internacional da UNESCO, não podemos nos esquecer dos direitos ao lazer, tendo em vista que a mesma afirma, que o lazer além de direito humano, é fundamental para o desenvolvimento de uma qualidade de vida melhor através da promoção de valores e pelo desenvolvimento de conhecimentos e aptidões de lazer que promovem o desenvolvimento pessoal, social, físico, emocional e intelectual.

Durante os trabalhos da Comissão presidida por J. Delors conclui-se que a proposta educacional para o novo milênio deveria ser pautada e quatro pilares principais do conhecimento, sendo eles: Aprender a conhecer, Aprender a viver juntos, Aprender a fazer, e Aprender a ser. Tais princípios proposto pelo Relatório Delors, são interdependentes porém atuam de forma integrada, fundamentando assim um conceito de totalidade e dialética individual.

Os pilares do conhecimento foram caracterizados pelo Relatório Delors da seguinte forma: (DELORS, 1996).



Aprender a conhecer: Esse tipo de aprendizagem objetiva sobretudo o domínio dos instrumentos do conhecimento. Como o conhecimento é múltiplo e evolui em ritmo incessante, torna-se cada vez mais inútil tentar conhecer tudo. Além disso, os tempos atuais demandam uma cultura geral, cuja aquisição poderá ser facilitada pela apropriação de uma metodologia do aprender. Como disse Laurent Schwartz, um espírito verdadeiramente formado, hoje em dia, tem necessidade de uma cultura geral vasta e da possibilidade de trabalhar em profundidade determinado número de assuntos. Deve-se do princípio ao fim do ensino, cultivar simultaneamente estas duas tendências. Daí a importância dos primeiros anos da educação que, se bem-sucedidos, podem transmitir às pessoas a força e as bases que façam com que continuem a aprender ao longo de toda a vida.

Aprender a fazer: Aprender a conhecer e Aprender a fazer são, em larga medida, indissociáveis. O Aprender a fazer está mais ligado à educação profissional. Todavia, devido às transformações que se operam no mundo do trabalho, o aprender a fazer não pode continuar a ter o mesmo significado de preparar uma determinada pessoa para uma tarefa específica. O avanço tecnológico esta modificando as qualificações. As tarefas puramente físicas estão sendo gratuitamente substituídas por tarefas de produção mais intelectuais, mais mentais, como o comando de máquinas, por exemplo. À medida que as máquinas se tornam mais “inteligentes”, o trabalho se “desmaterializa”. Além da competência técnica e profissional, a disposição para o trabalho em equipe, o gosto pelo risco e a capacidade de tomar iniciativas constituem fatores importantes no mundo do trabalho. Acrescente-se que a criação do futuro exige uma polivalência para a qual o desenvolvimento da capacidade de aprender é vital.

Aprender a viver juntos: Trata-se de um dos maiores desafios da educação para o século XXI. Como diz o Relatório Delors, a história humana sempre foi conflituosa. Há, no entanto, elementos novos que acentuam o perigo e deixam à vista o extraordinário potencial de autodestruição criado pela humanidade no decorrer do século XX. Será possível conceber uma educação capaz de evitar conflitos, ou de os resolver de maneira pacífica, desenvolvendo o conhecimento dos outros, das suas culturas, da sua espiritualidade? Observem o quadro atual da violência na escola. Como combatê-la? A tarefa é árdua, diz o Relatório, porque os seres humanos têm tendência para sobrevalorizar as suas qualidades e as do grupo a que pertencem, e a alimentar preconceitos desfavoráveis em relação aos outros. Da mesma forma, o clima de elevada competição que se apoderou dos países agrava a tensão entre os mais favorecidos e os pobres. A própria educação para a competitividade tem contribuído para aumentar esse clima de tensão, devido a uma má interpretação da idéia de emulação. Para reduzir o risco, a educação deve utilizar duas vias complementares: a descoberta progressiva do outro e o seu reconhecimento e a participação em projetos comuns (educação para a solidariedade).

Aprender a ser: O Relatório Delors não apenas reafirma uma das principais linhas e princípios do Relatório Faure∗, como amplia a importância desse postulado. Todo ser humano deve ser preparado para a autonomia intelectual e para uma visão crítica da vida, de modo a poder formular seus próprios juízos de valor, desenvolver a capacidade de discernimento e de como agir em diferentes circunstâncias da vida. A educação precisa fornecer a todos forças e referências intelectuais que lhes permitam conhecer o mundo que os rodeia e agirem como atores responsáveis e justos. Para tanto, é imprescindível uma concepção de desenvolvimento humano que tenha por objetivo a realização plena das pessoas, do nascimento até a morte, definindo-se como um processo dialético que começa pelo conhecimento de si mesmo para se abrir, em seguida, à relação com o outro. Nesse sentido, a educação, é antes der mais nada, uma viagem interior, cujas etapas correspondem às da maturação contínua da personalidade. É urgente que esta concepção de educação seja trabalhada por todos, pela escola, pela família e pela sociedade civil, que juntos se disponham a explorar e descobrir as ricas potencialidades que se escondem em todas as pessoas.

Fonte: Relatório Delors (1996)



Segundo Delors, a educação deve ser pautada nos quatro pilares fundamentais, o aprender a conhecer ou seja, adquirir meios de compreensão, o aprender a fazer ou seja, agir no meio em que está inserido, aprender a viver juntos ou seja, participar e cooperar nas atividades coletivas e aprender a ser ou seja, conseguir associar as três regras anteriores.



"A escola da comunidade tem surgido em momentos críticos da história de vários países, com diferentes características: na Inglaterra da Revolução Industrial, no México revolucionário dos anos 20, na Turquia de Mustafá Kemal e em muitos outros. Nos Estados Unidos, durante a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial, um movimento se propôs a substituir a escola progressivista, centrada no aluno, pela escola comunitária, que tinha como eixo as necessidades da comunidade, com o fim de tornar a educação mais significativa e a escola uma instituição social mais útil. Como numa rua de mão dupla, a comunidade apoiava a escola e esta lhe prestava amplos serviços. Mesmo passada a Guerra, numerosos distritos escolares continuaram a desenvolver tais projetos. Uma das áreas preferenciais de atuação foi a do lazer, esporte e educação física. As instalações escolares eram abertas à comunidade, inclusive nas férias e nos fins de semana, organizando-se inúmeras atividades, entre elas as que se relacionavam a outros setores sociais, como a saúde e a cultura. O esporte, em particular, foi utilizado como um meio de combater a crescente delinqüência juvenil (em certas áreas, também infantil). Seu papel formativo foi destacado certa vez por um professor: ‘Quando você dá uma bola a um menino, você lhe incute um sentido e uma direção’. Assim, mais do que uma forma de ocupação do tempo ocioso, o esporte serviu para desenvolver

valores, atitudes e comportamentos que implicavam o respeito aos direitos dos outros e a consciência dos próprios direitos” (Gomes, 2001: 71).

Partindo do principio de que o grande objetivo da educação seria o desenvolvimento integral humano, é preciso considerar que a educação tem uma missão permanente oportunizar o desenvolvimento pacífico da sociedade, formando cidadãos éticos e solidários.

Para Fante (2005) “os temas transversais”, são propícios para a formação de valores, no trabalho com os educandos, porém existe certa dificuldade no trabalho cotidiano diante da elaboração de modelos educacionais que orientem na formação atitudinal do educando. Fante também acredita que a violência é um comportamento que é aprendido nas interações sociais e que por este motivo a não violência também pode ser aprendida, assim como se pode aprender a lidar com sensações como frustração, raiva e ainda aprender a lidar com os conflitos de forma pacífica. Criando assim a expectativa de que a violência aprendida possa ser substituída por sentimentos como a solidariedade e a tolerância.

É importante salientar a problemática na formação de professores para o processo de educar para a paz, diante de inúmeros avanços em relação a quantidade e a qualidade da formação continuada, voltada para o desenvolvimento dos educandos enquanto seres sociais, porém muitos professores não conseguem perceber os objetivos e os meios do trabalho com a Cultua de Paz.



“Inspirados nos trabalhos dos movimentos pela paz em função da experiência histórica de suas regiões, os educadores pela paz têm se inclinado mais por uma paz que por outra. Em países marcados pela guerra, é evidente que o objetivo primordial tenha sido evitar novas tragédias e matanças. Em países economicamente menos desenvolvidos, a preocupação principal tem sido com a violência estrutural e a Eduacação para a Paz tem sido relacionada com uma educação para o desenvolvimento, a justiça e a igualdade de oportunidades.” (RABANNI, 2003, p. 77)



A formação de professores que atuem como agentes de paz nas unidades escolares, diante da realidade brasileira, deve prepara-lo para discutir a violência e seus conflitos diante de uma perspectiva histórico- crítica relacionada com a criatividade e a adaptação ao grupo específico em que realiza o trabalho.

A questão é o que a educação pode fazer para promover esse tipo de paz como justiça e desenvolvimento? O nosso argumento, retomando o que já vinha sendo discutido pelos teóricos da Educação para a Paz, é que não é suficiente informar sobre as injustiças e desigualdades para se criar uma atitude necessária para superar as injustiças sociais. Mas importante que o quê ensinamos é como ensinamos. (RABANNI, 2003, P. 77)



Diante de tais considerações podemos afirmar que a formação específica para o desenvolvimento da cultura de paz é de extrema relevância para os educadores, oportunizando uma formação continuada que irá refletir em suas ações cotidianas de conflitos e violências propiciando uma ação consciente, no momento da problemática, propiciando assim uma releitura de si mesmo, além dos conhecimentos teóricos e práticos.

O capítulo a seguir apresentará a dimensão empírica do estudo realizado oportunizando assim possíveis esclarecimentos de nossas principais questões geradoras do trabalho realizado.













METODOLOGIA



Esta pesquisa tem por finalidade analisar a possibilidades de inserção de conteúdos da Educação Física na disciplina Cultura de Paz em Barretos.

No trabalho realizado através do estudo de caso proposto por Gil (2002) pelo fato de explorar situações cotidianas na unidade escolar que não está claramente definido, descrever a situação onde o problema se instala e explicar ainda as variáveis do fenômeno que possibilitam os levantamentos aqui propostos.

Na busca de respostas aos nossos questionamentos, iniciamos os trabalhos evidenciando a revisão da literatura em relação a Cultura de Paz e a Educação, o avanço em relação a Cultura de Paz e a Educação Física foi pouco significativo tendo em vista que a especificidade do tema não proporcionou a descoberta de autores de tal tema.

Para nortear a busca dos resultados em nossa pesquisa utilizamos o processo indutivo- interpretativo de acordo com Kipnis (2004), verificando que este método nos permite diante que diante de respostas peculiares alcancemos um resultado que nos levou a um resultado generalizado, ao estabelecermos relações entre a Cultura de Paz e a Educação Física no Ensino Fundamental Ciclo I.

Para a coletânea dos dados utilizamos como a entrevista semi estruturada, que é composta por questões abertas e fechadas, oportunizando assim a condução da entrevista e a elaboração de um resultado a partir do material disposto.

Os entrevistados de nossa pesquisa foram nove professoras de primeiro ano do ensino fundamental, três professores de educação física, um coordenador pedagógico, um vice-diretor, um diretor de escola e um supervisor de unidade escolar.

O púbico alvo de nossa pesquisa compreende educadores do primeiro ano do ensino fundamental, professores generalistas da educação básica, que recebem formação no desenvolvimento da disciplina cultura de paz; professores especialistas em educação física, que não recebem formação no desenvolvimento da disciplina cultura de paz e gestores administrativos e pedagógicos da unidade escolar que também recebem formação para a cultura de paz.

A partir do momento da solicitação da realização da pesquisa junto a diretora da unidade escolar via telefone, enviamos o termo de autorização solicitando a real aprovação do trabalho de pesquisa, após o aceite da direção fomos até a escola e iniciamos o agendamento das entrevistas junto as professoras e professores da escola.

Os materiais utilizados para a entrevista foram: computador, impressora folhas impressas com a entrevista semi estruturada, folhas em branco, caneta e gravador de voz.

Sendo o objeto da nossa pesquisa analise das possibilidades da inserção de conteúdos da Educação Física no Programa Cultura de Paz em Barretos.



Contexto da Pesquisa

A escola pesquisada situa-se na periferia da cidade de Barretos, é uma escola municipal que atende crianças da educação infantil de quatro anos na recreação, de cinco anos na pré escola e no ensino fundamental atende crianças de seis anos no primeiro ano,nos períodos manhã e tarde, além dos adultos no período noturno que são assistido pela Educação de Jovens e Adultos.

A escola foi escolhida devido o fato de contar com nove primeiros anos, série a qual se iniciam a formação de professores para a cultura de paz e obviamente inicia-se também o trabalho junto aos educandos.

Na rede municipal de ensino de Barretos, as aulas do ensino fundamental I são ministradas por um professor generalista, que é o professor de educação básica I, o único professor especialista é o professor de educação física que não recebe nenhuma orientação para o desenvolvimento da disciplina cultura de paz, ficando totalmente alheio ao processo de formação de paz.

As aulas em que são trabalhadas a disciplina cultura de paz são ministradas pelo professor de educação básica I, as aulas são baseadas em apostilas que são entregues no início do ano letivo, uma versão com orientações específicas para o professor e outra versão a ser completada pelos educandos, nesta apostila além de atividades de observação e dissertativas, existem também sugestões de exercícios práticos e brincadeiras que orientam na obtenção da quietude e de atenção.



Participantes

Participaram do estudo de caso nove professoras do primeiro ano do ensino fundamental da rede pública municipal de ensino, juntamente com três professores de educação física e ainda quatro componentes do corpo administrativo e pedagógico da unidade de ensino.

Os participantes são identificados através de números Professora I, Professor de Educação Física I,assim sucessivamente e ainda Componente Administrativo e Pedagógico.



Materiais

Para o estudo de caso foram utilizados os seguintes materiais durante a coleta e análise dos dados um gravador de áudio, papel, caneta, computador e impressora.



Instrumento de Construção dos Dados

Para a coleta dos dados utilizamos o recurso de entrevista semi aberta, que conta com perguntas abertas e fechadas, facilitando assim o trabalho com os entrevistados além tomar menos tempo durante a entrevista.

O questionário norteador para as entrevistas das Professoras e Componentes Administrativo e Pedagógico que foi utilizado para a entrevista contou com quatro questões e o questionário norteador da entrevista dos Professores de Educação Física também foi composto de quatro questões, as quais acreditamos suficientes para elucidar na busca de respostas em nosso estudo de caso.

As entrevistas ocorreram no mês de Outubro do ano 2.011, principalmente nos horários de saída da turma e nos horários de trabalhos pedagógicos complementares, as entrevistas aconteciam pessoalmente, somente com a presença do entrevistado e do entrevistador, utilizando o gravador de voz e o questionário auxiliar da entrevista.

Procedimentos para a Construção dos Dados

A escola onde foi realizado o estudo de caso, foi devidamente escolhida devido o fato de ser uma escola que conta com vários primeiros anos série a qual se iniciam os trabalhos da disciplina cultura de paz e por ser uma das pioneiras no processo de formação de agentes da paz, que são os professores capacitados para o desenvolvimento da disciplina. Após realizada a escolha da escola foi enviado então o termo de consentimento livre, assim que foram esclarecidas as dúvidas pertinentes iniciamos a coleta dos dados mediante o questionário semi aberto que norteava a entrevista.

As entrevistas ocorreram individualmente sem a influencia de terceiros e na certeza de total sigilo das respostas mediante a identidade do entrevistado.

A direção da unidade escolar aceitou muito prontamente a nossa solicitação para o estudo de caso e a realização das entrevistas, solicitaram ainda que assim que obtivéssemos, apresentássemos os resultados finais, para assim identificarem uma nova possibilidade de trabalho na escola.













RESULTADO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

Entrevistas

Quadro 1: Relato das Respostas Professora I

Professora de Educação Básica Respostas

Questão 1- Há quanto tempo você desenvolve a disciplina Cultura de Paz? Trabalho com a Cultura de Paz há um ano.

Questão 2- Você acredita que a disciplina Cultura de paz tem alcançado seus objetivos propostos? Sinceramente , não, o respeito é algo que ainda falta bastante, no entanto acredito que o trabalho deva ser continuado, na tentativa de uma melhoria no futuro .

Questão 3- Considera viável o desenvolvimento da disciplina Cultura de Paz nas aulas de Educação Física? Sim, com esta disciplina é possível trabalhar as diversidades, a dignidade de cada pessoa e a prática da não violência.

Questão 4- Você acredita que o Professor de Educação Física esteja preparado para o trabalho com a disciplina Cultura de Paz? Não, acredito que muitos professores ainda não tem esta visão, ou preparo para o trabalho. Porém caso eles recebam formação específica seria possível sim estabelecer relações entre as disciplinas.



A Professora de Educação Básica I trabalha somente há um ano com a disciplina e não conseguiu observar resultados em sua turma, porém acredita na continuidade do trabalho. Ela acredita que as aulas de educação física podem auxiliar no trabalho com a diversidade e a dignidade dos educandos, além da prática da não violência. Afirma ainda que os professores de educação física não estão preparados para o trabalho com a disciplina de paz e que para este trabalho é preciso que eles recebam formação específica.



Quadro 2: Relato das Respostas Professora II

Professora de Educação Básica Respostas

Questão 1- Há quanto tempo você desenvolve a disciplina Cultura de Paz? Trabalho a Cultura de Paz há 4 anos

Questão 2- Você acredita que a disciplina Cultura de paz tem alcançado seus objetivos propostos? Até certo ponto sim, em algumas questões tem que se aprimorar, como qualquer novo programa que esteja sendo desenvolvido.

Questão 3- Considera viável o desenvolvimento da disciplina Cultura de Paz nas aulas de Educação Física? Considero que sim, tendo em vistas as atividades cooperativas, os jogos de regras e atividades que promovam a auto estima.

Questão 4- Você acredita que o Professor de Educação Física esteja preparado para o trabalho com a disciplina Cultura de Paz? Desde que esteja disposto sim, mas o ideal seria que eles recebessem a mesma capacitação que nós, ou ainda uma capacitação específica para a área deles.



A Professora de Educação Básica II atua com a disciplina de paz há quatro anos, acredita que a disciplina em alcançado seus objetivos em determinadas situações porém em outras ficam a desejar, compreendendo ainda que a disciplina é uma novidade que precisa ser aprimorada. Quanto a viabilidade da cultura de paz relacionada a educação física, ela considera positivo o desenvolvimento conjunto das disciplinas evidenciando os jogos cooperativos e de regras, evidenciando ainda a promoção da auto estima, já no que tange o preparo do professor de educação física para o trabalho coma disciplina de paz ele acredita que ele esteja pronto sim para o desenvolvimento da cultura de paz, porém que o ideal seria que ele recebesse formação específica.



Quadro 3: Relato das Respostas Professora III

Professora de Educação Básica Respostas

Questão 1- Há quanto tempo você desenvolve a disciplina Cultura de Paz? Há mais ou menos 3 anos.

Questão 2- Você acredita que a disciplina Cultura de paz tem alcançado seus objetivos propostos? Alguns objetivos sim, mas outros necessitam de mais acompanhamento, na avaliação em relação ao alcance dos objetivos, que não são fáceis de avaliar.

Questão 3- Considera viável o desenvolvimento da disciplina Cultura de Paz nas aulas de Educação Física? Sim, acredito que sim tendo em vista que existem algumas propostas de atividades que são bem aplicáveis nas aulas de educação física.

Questão 4- Você acredita que o Professor de Educação Física esteja preparado para o trabalho com a disciplina Cultura de Paz? As vezes depende da boa vontade do professor e de sua responsabilidade social diante da sua formação relacionada a cultura de paz.



A Professora de Educação Básica III atua com a disciplina de paz por volta de três anos e acredita que os objetivos tem sido alcançados, porém ela observa falhas em relação ao acompanhamento da disciplina e a avaliação em relação aos objetivos traçados. Ela acredita que a educação física é compatível com a cultura de paz diante de propostas de atividades a propícias a serem aplicadas nas aulas de educação física, em relação ao preparo do professor de educação física, ela evidencia que é preciso ter boa vontade além da responsabilidade social relacionada ao desenvolvimento da disciplina de paz.







Quadro 4: Relato das Respostas Professora IV

Professora de Educação Básica Respostas

Questão 1- Há quanto tempo você desenvolve a disciplina Cultura de Paz? Desenvolvo a cultura de paz há 4 anos

Questão 2- Você acredita que a disciplina Cultura de paz tem alcançado seus objetivos propostos? O que falta é o envolvimento da família para que os objetivos sejam realmente alcançados.

Questão 3- Considera viável o desenvolvimento da disciplina Cultura de Paz nas aulas de Educação Física? Sim, a cooperação e as regras podem ser desenvolvidas nas aulas de educação física e refletir estes conhecimentos em outras situações em que a criança está inserida.

Questão 4- Você acredita que o Professor de Educação Física esteja preparado para o trabalho com a disciplina Cultura de Paz? Sim, porém acredito que ele precise de uma orientação específica para o desenvolvimento da disciplina, conhecendo seus objetivos e métodos de trabalho.



A Professora de Educação Básica IV desenvolve a cultura de paz há quatro anos e acredita que a disciplina não alcança os seus objetivos devido a falta de envolvimento da família. Ela considera viável o desenvolvimento da cultura de paz nas aulas de educação física evidenciando a cooperação e o trabalho com as regras objetivando causar reflexos em outras vivencias das crianças, diante do preparo do professor de educação física ela acredita que ele está preparado sim para a prática da disciplina de paz, porém que o ideal seria a capacitação do mesmo para uma efetiva compreensão dos objetivos e da metodologia da disciplina de paz.







Quadro 5: Relato das Respostas Professora V

Professora de Educação Básica Respostas

Questão 1- Há quanto tempo você desenvolve a disciplina Cultura de Paz? Trabalho com a disciplina há 4 anos

Questão 2- Você acredita que a disciplina Cultura de paz tem alcançado seus objetivos propostos? Alcançou parcialmente, faltou um entrosamento com a família.

Questão 3- Considera viável o desenvolvimento da disciplina Cultura de Paz nas aulas de Educação Física? Sim, pois os professores podem combinar regras, os jogos e as brincadeiras com a disciplina cultura de paz.

Questão 4- Você acredita que o Professor de Educação Física esteja preparado para o trabalho com a disciplina Cultura de Paz? Sim, acredito que sim desde que ele receba a formação como a nossa.



A Professora de Educação Básica V trabalha com a cultura de paz há quatro anos e acredita que a deficiência no alcance dos objetivos esteja na falta de entrosamento direto com a família. Ela acha viável a combinação da educação física com a cultura de paz diante dos jogos, brincadeiras e elaboração de regras, evidencia que para que o professor de educação física possa desenvolver a cultura de paz ele precisa receber a formação específica como ela recebe.











Quadro 6: Relato das Respostas Professora VI

Professora de Educação Básica Respostas

Questão 1- Há quanto tempo você desenvolve a disciplina Cultura de Paz? Desenvolvo a cultura de paz há 3 anos.

Questão 2- Você acredita que a disciplina Cultura de paz tem alcançado seus objetivos propostos? Eu acho que ainda falta alguma coisa, foi feita formação, mas não tem acompanhamento. acredito que a disciplina precisa ser revista para que atenda melhor a criança.

Questão 3- Considera viável o desenvolvimento da disciplina Cultura de Paz nas aulas de Educação Física? Considero viável sim, considerando que um dos objetivos da cultura de paz é a não violência que é muito comum nas aulas de educação física oportunizando assim o desenvolvimento da disciplina.

Questão 4- Você acredita que o Professor de Educação Física esteja preparado para o trabalho com a disciplina Cultura de Paz? Não, ele não está preparado por não ter participado do curso de formação.



A Professora de Educação Básica VI desenvolve a cultura de paz há três anos, ela acha que existe alguma falha no programa, afirma que recebeu a formação e que no entanto não existe nenhuma proposta de acompanhamento do desenvolvimento, afirmando ainda que a disciplina precisa ser revista buscando o melhor para a criança. Acredita ainda que seja viável o desenvolvimento da cultura de paz nas aulas de educação física tendo em vista que um dos objetivos da cultura de paz é a não violência, violência que ela considera comum nas aulas de educação física, ela afirma que o professor de educação física não está preparado para o trabalho com a paz diante do fato de ele não ter participado do curso de formação específica.

Quadro 7: Relato das Respostas Professora VII

Professora de Educação Básica Respostas

Questão 1- Há quanto tempo você desenvolve a disciplina Cultura de Paz? Em sala de aula a disciplina cultura de paz durante 2 anos.

Questão 2- Você acredita que a disciplina Cultura de paz tem alcançado seus objetivos propostos? Em grande parte sim, em alguns poucos as atividades que mexem com os sentimentos mais íntimos acabam por incomodar.

Questão 3- Considera viável o desenvolvimento da disciplina Cultura de Paz nas aulas de Educação Física? Sim, pois após uma atividade agitada ou mesmo após uma conduta indesejável em atividades coletivas é apropriado desenvolver a cultura de paz.

Questão 4- Você acredita que o Professor de Educação Física esteja preparado para o trabalho com a disciplina Cultura de Paz? Sim, todos nós estamos desde que nos empenhamos e tenhamos uma conduta de paz.



A Professora de Educação Básica VII trabalha com a cultura de paz há dois anos, acredita que a disciplina alcançou em grande parte seus objetivos, no entanto as atividades que mexem com sentimento profundos por vezes incomodam as crianças. Ela considera viável desenvolvimento da disciplina de paz nas aulas de educação física quando alguma criança tem uma conduta indesejável ou após alguma atividade agitada, ela considera também que o professor de educação física está preparado para o trabalho com a cultura de paz, desde que ele se empenhe e tenha uma conduta de paz.







Quadro 8: Relato das Respostas Professora VIII

Professora de Educação Básica Respostas

Questão 1- Há quanto tempo você desenvolve a disciplina Cultura de Paz? Há 3 anos trabalho com esta disciplina

Questão 2- Você acredita que a disciplina Cultura de paz tem alcançado seus objetivos propostos? Ah, mais ou menos, acho que está faltando alguma coisa para que a disciplina se desenvolva de verdade, talvez um trabalho com a família ou algo mais direto e prático com a criança.

Questão 3- Considera viável o desenvolvimento da disciplina Cultura de Paz nas aulas de Educação Física? Sim, desde que o professor de educação física utilize conteúdos que sejam compatíveis nas duas disciplinas

Questão 4- Você acredita que o Professor de Educação Física esteja preparado para o trabalho com a disciplina Cultura de Paz? Não, acho que ele deve receber a formação específica para a disciplina de paz.



A Professora de Educação Básica VIII desenvolve a disciplina de paz há três anos e acha que os objetivos estão sendo mais ou menos alcançados, acredita que falta algo na disciplina, talvez um trabalho com a família ou um trabalho mais prático com as crianças. Ela considera viável o desenvolvimento conjunto das duas disciplinas desde que o professor de educação física se utilize de conteúdos compatíveis em suas aulas, ela acredita que o professor de educação física não está preparado para o trabalho com a disciplina de paz e que para isto ele precisa de formação específica.





Quadro 9: Relato das Respostas Professora IX

Professora de Educação Básica Respostas

Questão 1- Há quanto tempo você desenvolve a disciplina Cultura de Paz? Trabalho coma disciplina há 4 anos

Questão 2- Você acredita que a disciplina Cultura de paz tem alcançado seus objetivos propostos? Sim, dentro do possível de ser trabalhado dentro da escola tem alcançado sim, percebo uma significante mudança nas crianças quando a disciplina é bem desenvolvida no entanto é necessário o envolvimento não somente do professor como também de todos da escola e ainda das famílias.

Questão 3- Considera viável o desenvolvimento da disciplina Cultura de Paz nas aulas de Educação Física? Sim, após uma atividade muito agitada seria muito interessante, que o professor de educação física desenvolvesse uma das técnicas de aclamar as crianças que são orientadas na disciplina cultura de paz.

Questão 4- Você acredita que o Professor de Educação Física esteja preparado para o trabalho com a disciplina Cultura de Paz? Sim, todos estão preparados para realizar essa atividade basta querer.



A Professora de Educação Básica IX trabalha com a disciplina há quatro anos, afirma que os objetivos estão sendo alcançados e que nota uma significante mudança quando a disciplina é desenvolvida e que a plenitude do trabalho depende de todos funcionários da escola e das famílias. Em relação as aulas de educação física ela acredita que após atividades agitadas seria benéfico que fossem desenvolvidas atividades que acalmam as crianças propostas na disciplina de paz, em relação a formação específica ela afirma que todos estão preparados basta querer.

Quadro 10: Relato das Respostas Componente Administrativo e Pedagógico I

Componente Administrativo e Pedagógico Respostas

Questão 1- Há quanto tempo você desenvolve a disciplina Cultura de Paz? Trabalho há 3 anos

Questão 2- Você acredita que a disciplina Cultura de paz tem alcançado seus objetivos propostos? Acredito que em algumas partes sim, porém existem algumas falhas, como o acompanhamento ao longo do ano letivo e uma orientação na avaliação.

Questão 3- Considera viável o desenvolvimento da disciplina Cultura de Paz nas aulas de Educação Física? Não só nas aulas de educação física, mas sim em todas as disciplinas, pois o conteúdo é abrangente.

Questão 4- Você acredita que o Professor de Educação Física esteja preparado para o trabalho com a disciplina Cultura de Paz? Desde que ele esteja capacitado sim. É um trabalho que requer capacitação e muita orientação.



A Componente Administrativo e Pedagógico I da unidade de ensino trabalha com a disciplina há três anos, afirma que a disciplina de paz conta com algumas falhas como a falta de acompanhamento e a orientação para avaliação diante dos objetivos propostos. Afirma que todas as disciplinas, sem exceção, devem desenvolver a disciplina de paz devido seu conteúdo abrangente, em relação ao preparo do professor ela acredita que ele precisa ser capacitado para desenvolver a disciplina.









Quadro 11: Relato das Respostas Componente Administrativo e Pedagógico II

Componente Administrativo e Pedagógico Respostas

Questão 1- Há quanto tempo você desenvolve a disciplina Cultura de Paz? Há 3 anos

Questão 2- Você acredita que a disciplina Cultura de paz tem alcançado seus objetivos propostos? Em partes tendo em vista a dificuldade com a continuidade do trabalho, mas na maioria das situações quando bem desenvolvido ele alcançou sim os objetivos.

Questão 3- Considera viável o desenvolvimento da disciplina Cultura de Paz nas aulas de Educação Física? Claro! Essa disciplina deverá ser desenvolvida em todas as aulas não somente na Educação Física.

Questão 4- Você acredita que o Professor de Educação Física esteja preparado para o trabalho com a disciplina Cultura de Paz? Não! Ele precisa ser capacitado e orientado.



A Componente Administrativo e Pedagógico II da unidade escolar trabalha com a acultura de paz há três anos e afirma que os objetivos tem sido alcançados em parte diante do trabalho continuado e que quando bem desenvolvida a disciplina alcança sim os objetivos propostos. Ela afirma que a disciplina de paz deve ser trabalhada em todas as disciplinas e que o professor de educação física não está preparado para o trabalho com a disciplina que ele precisa ser capacitado e orientado.







Quadro 12: Relato das Respostas Componente Administrativo e Pedagógico III

Componente Administrativo e Pedagógico Respostas

Questão 1- Há quanto tempo você desenvolve a disciplina Cultura de Paz? Há 5 anos, desde 2006.

Questão 2- Você acredita que a disciplina Cultura de paz tem alcançado seus objetivos propostos? Eu acredito que quando trabalhada de maneira efetiva consegue atingir os objetivos propostos.

Questão 3- Considera viável o desenvolvimento da disciplina Cultura de Paz nas aulas de Educação Física? Eu acredito que a disciplina cultura de paz pode ser desenvolvida em todas as disciplinas, incluindo a educação física.

Questão 4- Você acredita que o Professor de Educação Física esteja preparado para o trabalho com a disciplina Cultura de Paz? Não, ele necessita ser capacitado para desenvolver esta disciplina.



A Componente Administrativo e Pedagógico III da unidade de ensino atua com a cultura de paz há cinco anos, e afirma que quando a disciplina é trabalhada com efetividade tem seus objetivos alcançados. Afirma também que a disciplina cultura de paz deve ser desenvolvida por todas as disciplinas, porém afirma que o professor de educação física não está preparado para o desenvolvimento da disciplina e que ele precisa ser capacitado para desenvolver a mesma.











Quadro 13: Relato das Respostas Componente Administrativo e Pedagógico IV

Componente Administrativo e Pedagógico Respostas

Questão 1- Há quanto tempo você desenvolve a disciplina Cultura de Paz? Desde 2006, na Secretaria Municipal de Educação, há 5 anos existe o trabalho na rede.

Questão 2- Você acredita que a disciplina Cultura de paz tem alcançado seus objetivos propostos? Trabalhar no campo da subjetividade, das emoções é um processo lento, mas fazemos a cada dia um avanço, que é demonstrado no campo das mudanças das atitudes sociais.

Questão 3- Considera viável o desenvolvimento da disciplina Cultura de Paz nas aulas de Educação Física? Tudo é viável, quando se é planejado, capacitando o professor de educação física temos sempre novos horizontes e as aulas de educação física é mais um horizonte.

Questão 4- Você acredita que o Professor de Educação Física esteja preparado para o trabalho com a disciplina Cultura de Paz? Não, ele precisa se capacitar especificamente para ser agente da paz.



A Componente Administrativo e Pedagógico IV da unidade de ensino trabalha com a cultura de paz na secretaria municipal da educação há cinco anos, acredita que o trabalho com as emoções é um processo lento para que o mesmo seja avaliado, porém acredita nos avanços perceptíveis em sua atuação na rede. Acredita que seja viável o desenvolvimento da cultura de paz nas aulas de educação física desde que o processo seja planejado, afirma também que ele precisa de capacitação específica para o trabalho com a cultura de paz.



Quadro 14: Relato das Respostas Professor Educação Física I

Professor de Educação Física Respostas

Questão 1- Você conhece, ou já ouviu falar da disciplina Cultura de Paz? Não conheço, nem sabia que havia esta disciplina.

Questão 2- Caso afirmativa a primeira questão, o que você conhece sobre a disciplina?

Questão 3- Você gostaria de receber orientação para o trabalho na disciplina? Sim, acredito que vivemos um momento em que o excesso de violência é uma constante, qualquer trabalho que auxilie no sentido de desenvolver a paz seria muito benéfico.

Questão 3- Considera viável o desenvolvimento da disciplina Cultura de Paz nas aulas de Educação Física? Sim, tendo em vista que precisamos trabalhar não somente na dimensão procedimental, temos a função de desenvolver conceitos e atitudes benéficas.

Questão 4- Como você acredita que poderia desenvolver conteúdos em suas aulas que contribuíssem para o desenvolvimento da Cultura de Paz em suas aulas? Procuraria me informar e explorar esse assunto e para estar desenvolvendo este tema nas aulas de educação física.



O Professor de Educação Física I afirma que não conhece a disciplina. Porém ele acredita que devido o cotidiano violento o trabalho com a paz deva ser desenvolvido em benefício dos alunos, salienta que nas aulas de educação física não se deve trabalhar somente a dimensão procedimental, mas também as dimensões conceituais e atitudinais. Para desenvolver a cultura de paz em suas aulas ele buscaria informações que auxiliassem no desenvolvimento do trabalho nas disciplinas.

Quadro 15: Relato das Respostas Professor Educação Física II

Professor de Educação Física Respostas

Questão 1- Você conhece, ou já ouviu falar da disciplina Cultura de Paz? Já ouvi falar, mas não sei o que é.

Questão 2- Caso afirmativa a primeira questão, o que você conhece sobre a disciplina?

Questão 3- Você gostaria de receber orientação para o trabalho na disciplina? Sim, qualquer orientação na busca de uma melhoria na formação das crianças é sempre muito bom.

Questão 3- Considera viável o desenvolvimento da disciplina Cultura de Paz nas aulas de Educação Física? Acredito que sim, pois a educação física também colabora na formação da cidadania.

Questão 4- Como você acredita que poderia desenvolver conteúdos em suas aulas que contribuíssem para o desenvolvimento da Cultura de Paz em suas aulas? Buscaria informações sobre a cultura de paz e tentaria estabelecer relações com os conteúdos propostos na grade da educação física.



O Professor de Educação Física II diz saber que a disciplina existe porém desconhece seus objetivos e sua metodologia, afirma que gostaria de receber a formação específica oportunizando assim uma melhor formação continuada. Considera viável o trabalho conjunto das disciplinas tendo em vista que a educação física deve também se preocupar com a formação da cidadania, quando indagado sobre o desenvolvimento dos conteúdos da disciplina em suas aulas ele afirmou que buscaria informações sobre a cultura de paz e tentaria estabelecer relações entre os conteúdos propostos.

Quadro 16: Relato das Respostas Professor Educação Física III

Professor de Educação Física Respostas

Questão 1- Você conhece, ou já ouviu falar da disciplina Cultura de Paz? Não, nunca ouvi falar desta disciplina.

Questão 2- Caso afirmativa a primeira questão, o que você conhece sobre a disciplina?

Questão 3- Você gostaria de receber orientação para o trabalho na disciplina? Gostaria sim.

Questão 3- Considera viável o desenvolvimento da disciplina Cultura de Paz nas aulas de Educação Física? Acredito muito na aprendizagem através da dimensão atitudinal, por este motivo vejo que é viável sim.

Questão 4- Como você acredita que poderia desenvolver conteúdos em suas aulas que contribuíssem para o desenvolvimento da Cultura de Paz em suas aulas? Nossa, ai eu teria que conhecer o tema para assim desenvolver atividades que integrem as duas disciplinas.



O Professor de Educação Física III, afirma que não conhece nem nunca ouviu falar da disciplina, disse que gostaria de receber formação específica para o desenvolvimento da mesma. Afirma ainda que valoriza a aprendizagem através da dimensão atitudinal e por este motivo acredita que seja viável a associação das duas disciplinas, sobre desenvolver os conteúdos da paz nas aulas de educação física afirma que teria que conhecer o tema para poder desenvolver atividades que integrem as duas disciplinas.



Foi possível observar diante das entrevistas das Professoras de educação Básica juntamente com os Componentes Administrativos e Pedagógicos, que a maioria das professoras já trabalham com a disciplina de paz há mais de três anos.

Em relação ao alcance dos objetivos foi possível verificar que existem algumas divergências, algumas afirmam que os objetivos são alcançados quando o trabalho é desenvolvido com efetividade, algumas afirmam que falta a integração com a família, afirmam que a capacitação é boa porém que falta um acompanhamento em relação a avaliação e ainda houve sugestões em relação a atividades mais práticas.

Todas sem exceção afirmam que seja viável o desenvolvimento da cultura de paz nas aulas de educação física, sugerindo associações de conteúdos, afirmando o desenvolvimento de valores como cooperação, respeito a regas, cidadania, respeito a diversidade, dignidade, auto-estima, não violência e atividade de volta a calma.

Quanto ao professor de educação física e sua formação para o desenvolvimento da cultura de paz a maioria afirma que ele precisa de capacitação e orientação no trabalho da paz.

Nas entrevistas com os Professores de Educação Física um já ouviu falar na disciplina de paz os outros dois desconhecem completamente, todos gostariam de receber formação para o desenvolvimento da disciplina de paz tendo em vista o desenvolvimento da cidadania de atitudes benéficas ao grupo e a si mesmo, considerando assim viável o desenvolvimento da disciplina de paz nas aulas de educação física.

Em relação ao desenvolvimento dos conteúdos da educação física que contribuíssem para a cultura de paz todos afirmaram que iriam procurar informações que contribuíssem para a associação das disciplinas.

Foi possível identificar diante da dimensão empírica de nosso estudo que a disciplina Cultura de paz ainda conta com falhas que podem e devem ser supridas tendo em vista que o processo com um todo é muito profícuo e efetivo na formação das crianças.

Existe uma necessidade de avaliação e orientação continuada durante o ano letivo tendo em vista que a partir do momento que o programa colocou a cultura de paz como uma disciplina esta deve ser avaliada e desenvolvida de forma a seus conteúdos serem absorvidos pelos discentes, que fique claro que não é pretendido que nenhum educando seja reprovado pela disciplina cultura de paz, no entanto é necessário uma avaliação e uma acompanhamento que comprove e evidencie a real eficácia do programa, que certamente tem um custo que necessita ser justificado.

As evidencias de que são necessárias atividades mais práticas nas dimensões procedimentais e atitudinais também foram claras tendo em vista que as crianças entre seis e dez anos aprendem com maior facilidade através de jogos e brincadeiras, possibilitando assim a construção de valores, atitudes e comportamentos que refletem o respeito ao próximo como foi afirmado pela UNESCO, ao considerar a Cultura de Paz.

A educação física deve ser considerada como todas as demais disciplinas e o professor de educação física deve receber todas as orientações e capacitações que os demais professores recebem, buscando assim uma melhoria na qualidade do ensino que o educando irá vivenciar.

De acordo com Aquino o ambiente escolar diante da Cultura de Paz deve propiciar durante as ações educativas, o respeito às diferenças e a resolução pacífica de conflitos, o abandono do modelo de competição e o individualismo, sendo assim a educação física está amplamente preparada apara o trabalho com a cultura de paz tendo em vista o trabalho com conteúdos como jogos cooperativos, simbólicos, adaptados, de regras, brincadeiras, danças entre outros.

Conforma a Carta Internacional de Educação Física e Desporto, a educação física deve trabalhar juntamente com outros componentes curriculares visando o desenvolvimento de capacidades como força de vontade e autodisciplina, buscando o desenvolvimento das capacidades físicas, intelectuais e morais, sendo assim diante de inúmeros objetivos comuns é impossível considerar que a educação física fique aleatória ao processo de formação apara a paz como busca a disciplina Cultura de Paz.







CONSIDERAÇÕES FINAIS



Diante da realidade que levantamos em nosso trabalho, ao relacionarmos a cultura de paz juntamente com a educação física, seria impossível falarmos em considerações finais com a intenção de concluir o trabalho a alcançar assim um resultado absoluto, tendo em vista a amplitude do campo que se desvenda a frente de temas tão vastos quanto a cultura de paz e a educação física.

Nosso questionamento central ao analisar a possibilidade da inserção dos conteúdos da educação física no trabalho com a disciplina cultura de paz, sistematizadas aqui neste trabalho, vem chamar a atenção para uma nova realidade educacional, onde a educação tem papel importante na formação de cidadãos, contribuindo assim para futuros estudos ou mesmo para uma melhoria na disciplina de paz, através da intervenção de pesquisadores e formadores na área específica.

O trabalho torna-se relevante diante dos dados coletados que possibilitaram uma limitada visão na intenção da associação das disciplinas, associação esta que visa ampliar a visão do profissional de educação física e melhorar a absorção da cultura de paz para os educandos.

Após as teorias aqui elencadas pudemos observar que a disciplina cultura de paz é um processo em construção, que depende muito da atitude dos profissionais que a desenvolvem e de extrema necessidade diante da sociedade violenta e intolerante a qual a criança vivencia seus primeiros anos de vida.

Diante das entrevistas realizadas em sua maioria pudemos observar que as professoras de educação básica, que são capacitadas para o desenvolvimento da cultura de paz, em sua maioria acreditam que haja a possibilidade do desenvolvimento da cultura de paz nas aulas de educação física no entanto que para isto ocorra o professor de educação física pode e deve ser capacitado para o desenvolvimento da mesma.

Destaca-se também o real interesse dos professores de educação física entrevistados, diante da proposta de estabelecer relação entre os conteúdos da educação física e a cultura de paz, afirmando ainda que gostariam e consideram significativa a capacitação para desenvolvimento da cultura de paz.

Evidenciamos então que relacionar a educação física e a cultura de paz, poderá proporcionar um melhor desenvolvimento da cultura de paz e ainda contribuir para a formação da cidadania diante de conteúdos conjuntos das duas disciplinas.

Acreditamos que nosso objetivo foi alcançado na medida que foi possível esclarecer a questão do trabalho com as duas disciplinas. Entretanto as pesquisas devem seguir, pois é somente diante de novas indagações que se torna possível a melhoria e a transformação dos processo educacionais, dos quais dependem o futuro da sociedade, buscando oportunizar assim o bem estar comum.

A evidencia de que a disciplina educação física deve ser também considerada pela disciplina cultura de paz no desenvolvimento de seus conteúdos, ficou muito clara tendo em vista que os trabalhos desenvolvidos pela transversalidade que tenham objetivos comuns como a formação de valores evidenciando a cidadania, são dependentes e inter-relacionados, fato que possibilita e prioriza o desenvolvimento conjunto das disciplinas, buscando um aprendizado efetivo e uma formação para a paz que atenda as necessidades reais da sociedade.



“A Paz não é um objetivo a ser alcançado, a Paz é o caminho”

(Gandhi)



REFERÊNCIAS



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ARAÚJO, J. R. ; BIS, L. M. A Liga Pela Paz. 1 ed. Opção Comunicação Digital Ltda., 2008.



BORIN, L.C. Educação para a Paz: uma proposta pedagógica para a não violência

Disponível em: Acesso em 14 de novembro de 2011.



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DELORS, J. Educação: um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI. Brasília: UNESCO, MEC, Ed Cortez, 1996.



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LONDRINA. COMPAZ – Conselho Municipal de Cultura de paz de Londrina, 10ª Semana Municipal pela paz, 10 ed., Londrina/PR, 2010.



MARTINS, L. M. A formação social da personalidade do professor: um

enfoque vigostkiano. Campinas, SP: Autores Associados, 2007.



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MILANI, Feizi Masrour. Cultura de paz X violências: papel e desafios da escola. In: MILANI, F.M; JESUS, R.D.P.Cultura da Paz: estratégias, mapas e bússolas. Salvador: INPAZ, 2003.



MORAIS, R. Violência e educação. Campinas, SP: Papirus, 1995.







MORIM, E. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. 1 ed. Opção Comunicação Digital Ltda., 2008.



ONU. Carta Internacional da Educação Física e do Desporto, adotada pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas, reunida em Paris, na sua 20ª sessão para a Educação, a Ciência e a Cultura, em novembro de 1978.

Disponível em: http://www.revistadeeducacaofisica.com.br/artigos/1980/CARTAINTERNACIONAL.pdf. Acesso em: 27 de novembro de 2011.



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EDUCAÇÃO FÍSICA E ENSINO MÉDIO

1 INTRODUÇÃO




Após vivenciarmos o estágio supervisionado no ensino médio, nos deparamos com a discussão acerca do ensino e da aprendizagem da educação física, sob esta nova perspectiva e desafio, revela-se uma complexidade e uma necessidade de se explicitar os diferentes pontos de vista diante de uma teoria e uma prática quando se fala em desmotivação e apatia nas aulas de educação física.

Atualmente é comum encontrarmos jovens e adolescentes ansiosos pela prática esportiva em academias, evidenciando a busca de um padrão corporal que é divulgado e evidenciado como "ideal" pelas mídias, que conduzem nossa sociedade consumista e capitalista.

Neste caso, evidenciamos a questão da apatia nas aulas de educação física que podem e devem auxiliar no desenvolvimento integral dos educandos.

Este trabalho visa analisar a apatia e a desmotivação nas aulas de educação física no ensino médio, procurando assim evidencias que levem aos educadores condições de um trabalho profícuo em suas aulas com educandos do ensino médio.


2 LEITURA DA REALIDADE



Instituição: Colégio Paulo Freire

Endereço da Instituição: Rua 6 nº 963 - Barretos/SP

Aulas de Educação Física: Localização: Av: Seicho No Ie , nº 420

Telefone: 17 3322 7258

Diretor: José Roberto

Vice Diretora: Ana Emília

Coordenadora Pedagógica: Ana Silvia



A Instituição de Ensino está situada na região central da cidade de Barretos, atua no ensino fundamental ciclo I e II, ensino médio e cursinho. A unidade não conta com coordenador específico na área de educação física, a proposta pedagógica que é seguida pela escola é orientada pelas propostas de Jean Piaget, existe um projeto político pedagógico da escola, porém não tivemos acesso ao mesmo, porém nos foi apresentado o conteúdo programático do ensino médio, no entanto não havia um capítulo específico para a disciplina.

O trabalho da Educação Física na unidade, de acordo com o conteúdo programático, é voltado para a proposta piagetiana: "o conhecimento é produto de uma interação do sujeito com o seu meio". O trabalho acontece de forma interdisciplinar, o professor deve agir como mediador do conhecimento e não como expositor de informações a serem absorvidas.

De acordo com a Coordenação Pedagógica, as atividades são desenvolvidas buscando as orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais, sempre relacionando, pluralidade cultural, ética, saúde, orientação sexual, meio ambiente, trabalho e consumo. Buscando assim a conscientização da promoção da saúde, seja ela física, psíquica e social, gerando assim oportunidades para o educando desenvolver uma consciência autônoma, crítica e tolerante, exercendo assim a cidadania.

O espaço onde são realizadas as aulas de educação física é um espaço coberto que conta com várias áreas para práticas esportivas, conta com sala multiuso, campo com grama sintética além de um pequeno playground.

O professor de educação física no ensino médio é o professor Bruno Henrique, formado há cinco anos pela Escola Superior de Educação Física e Desportos de Catanduva - ESEFDC, é conhecedor do projeto político pedagógico da escola e procura basear suas aulas na orientação pedagógica da coordenadora do ensino médio, sempre buscando ofertar e estimular os educandos na prática cotidiana.

O professor Bruno leciona sete horas e trinta minutos semanais totalizando cinco aulas por semana, a turma do ensino médio no qual ocorrerá o estágio é composta por dezoito meninos e seis meninas, com a média de dezesseis anos de idade.


3 LEITURA DA REALIDADE ESPECÍFICA



Instituição: Colégio Paulo Freire

Endereço da Instituição: Rua 6 nº 963 - Barretos/SP

Aulas de Educação Física: Localização: Av: Seicho No Ie , nº 420

Telefone: 17 3322 7258

Diretor: José Roberto

Vice Diretora: Ana Emília

Coordenadora Pedagógica: Ana Silvia

O professor Bruno leciona sete horas e trinta minutos semanais totalizando cinco aulas por semana, a turma do ensino médio no qual ocorrerá o estágio é composta por dezoito meninos e seis meninas, com a média de dezesseis anos de idade.

Assim sendo ficou definido que o estágio ocorrerá no período da tarde, toda sexta feira, as aulas são de uma hora e trinta minutos de duração, se iniciam as 14:00 horas tendo seu término as 15:30 horas, o período de permanência na escola será então das 13:00 horas as 17:00 horas, contando assim quatro horas semanais.

Tanto a Direção quanto o corpo docente se mostrou muito satisfeita com a nossa presença na escola, demonstrando atenção na resposta de todas as perguntas elaboradas.

A turma é composta por dezoito meninos e seis meninas, com a média de dezesseis anos de idade, no grupo não foi observado nenhum portador de necessidades especiais.

O professor Bruno sempre recebe a turma muito atenciosamente sempre chamando os educandos pelo nome, geralmente ele organiza a turma separando meninos e meninas, me pareceu que essa é uma intenção bem mais dos educandos do que do professor.

A relação ente o professor e seus educandos é muito amigável e respeitosa, os adolescentes gostam muito do professor Bruno e sempre acatam a suas orientações.

A turma ao que percebemos é bem unida e alegre, riem o tempo todo, e levam a aula com alegria como se fosse uma brincadeira mesmo, em nenhum momento observei alguma forma de discriminação ou exclusão, o professor está sempre atento orientando no trabalho cooperativo.

As atividades que observamos foram em vias de regra jogos esportivos, futebol e volei, o professor Bruno orienta na prática e nas regras das quais os jogos são compostos, porém sempre em ritmo de brincadeira.

Diante das observações percebemos que os educandos gostam muito das aulas e do professor, o professor disse que sempre ele traz brincadeiras que procuram envolver o grupo em trabalhos cooperativos.

Em relação ao planejamento e a execução do que foi planejado, creio que fiquei meio "engessada", nunca havia lecionado com meninas separada de meninos, fato que me deixou um tanto deslocada no momento da criação dos planos de aula, outra situação é o fato de os educandos participarem das aulas somente quando há jogos esportivos, infelizmente este fato não conseguimos modificar, mesmo com o auxilio do professor Bruno, presença fundamental para a evolução do nosso estágio.

O grande ponto positivo seria a própria vivencia do estágio, condição real que nos possibilita uma prevenção para uma ação futura enquanto profissional formado, além é claro da receptividade muito satisfatória que notamos em todos os funcionários da unidade escolar.

Em relação aos pontos negativos cremos que seja realmente a decepção em verificar que a desmotivação avança conforme as séries avançam também, pudemos observar em nossos estágios que na educação infantil as crianças são ávidas por atividades e participam sem temor ou resistência, no ensino fundamental ciclo I as crianças participam mas temos que encontrar meios de lidar com a indisciplina, no ensino fundamental ciclo II já existem participantes, indisciplina e desmotivação, já no ensino médio a desmotivação impera nas turmas que estão sempre separadas, foi realmente triste verificar esta realidade da educação física nas séries finais da educação básica.

Cremos ainda que mudar a realidade que vivemos depende de nós professores e acadêmicos diante da busca incessante para uma efetiva vivencia de aprendizagem, construirmos uma cultura que evidencie a necessidade da prática de atividade físicas, a formação de conhecimentos e conceitos relacionados a estas práticas e principalmente a formação de valores é fundamental para o desenvolvimento integral de nossos educandos.

4 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.





Atualmente existe uma ampla discussão em relação as dificuldades relacionadas a motivação nas aulas de educação física na escola, diante do ensino médio. Elencaremos aqui alguns problemas relacionados a realidade diante da prática evidenciando os obstáculos naturais diante das aulas.



Auto-exclusão

Ao observar uma das dificuldades relacionadas a prática das aulas de educação física, Andrade & Devide (2006) estudaram o comportamento das educandas do ensino médio, juntamente com outros autores ressaltamos alguns motivos que contribuem para a auto-exclusão, como:

1. Ambiente físico inadequado (quadras pequenas e sem vestiários);

2. Aulas frequentemente repetitivas e desorganizadas;

3. Falta de habilidades e desprazer com os esportes oferecidos;

4. Brutalidade masculina;

5. Professor de Educação Física que não participa das aulas;

6. Desigualdade de habilidades e gênero;

7. Exclusão dos menos hábeis;

8. Preferência da bola sempre para os meninos;



Esportivização da Educação Física

É muito comum nas aulas de educação física na escola encontrarmos somente conteúdos do esporte. Segundo Marzinek (2004) identificou que os esportes mais trabalhados nas aulas são: futebol, voleibol, basquetebol e handebol, sendo eles geralmente os mais populares entre os alunos de Ensino Fundamental e Médio.

Sabe-se que estes conteúdos são realmente os preferidos das turmas, no entanto não podemos nos esquecer de outros conteúdos da educação física que são garantidos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais como a dança, capoeira, judô, atividades expressivas, ginástica, folclore, entre outros.









Desmotivação

Para Alves (2007) existem diversos fatores que desmotivam os educnados à prática de Educação Física, como a metodologia de ensino inadequada, conteúdos que não favorecem a aprendizagem, relacionamento professor-aluno, postura desinteressada do educador, falta de coordenação de área, orientação, supervisão ou direção da escola e a ausência de significado sobre o real papel da Educação Física no contexto escolar que identifique o professor.

Segundo Martinelli et al. (2006), a Educação Física Escolar deve propiciar proporciona ao educando a experimentação dos movimentos, de modo que o mesmo tenha a capacidade de desenvolver um conhecimento corporal e compreender os motivos pelos quais os praticam. Quando isso não ocorre, parte dos alunos acaba perdendo o interesse pelas aulas de Educação Física.




5 CONSIDEARAÇÕES FINAIS



Após as observações e as intervenções realizadas na turma estagiada do ensino médio e juntamente com as leituras realizadas verificamos que é comum esta desmotivação e apatia nas aulas de educação física no ensino médio, criou-se uma cultura, de " esta juventude é assim mesmo", na tentativa de justificar o injustificável.

Para alguns autores ficou evidente que a apatia surge principalmente do professor relacionado a outras problemáticas, que interferem na renovação de conceitos que circundam a educação física.

Considerando a intenção do trabalho aqui realizado é importante lembrar que este é passível de novas visões, e que o tema deve ser deveras aprofundado, no entanto o professor deve oportunizar o diálogo com os educandos, buscando uma efetiva mudança em si mesmo, uma mudança de conceitos e atitudes.

É evidente que esta mudança acontece gradativamente, refletir sobre as dificuldades em suas aulas é um início,a busca de soluções para tais dificuldades é fundamental, na tentativa de ofertar uma educação física de qualidade que envolva todos educandos, sem distinção.




REFERÊNCIAS



ALVES, J. C. O Desinteresse pela educação física escolar e a postura do educador físico. In: 6º FÓRUM INTERNACIONAL DE ESPORTES, 2007, Florianópolis. Anais do 6º Fórum Internacional de Esportes, Florianópolis, 2007.



ANDRADE, E. B; DEVIDE, F. Auto-exclusão nas aulas de educação física escolar: representações de alunas do Ensino Médio sob enfoque de gênero. FIEP Bulletin, Foz do Iguaçu, v. 76, p. 318-321, 2006. Special edition.



BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1997.



MARTINELLI, C. R. et. al. Educação Física no Ensino Médio: motivos que levam as alunas a não gostarem de participar das aulas. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 5, n. 2, p. 13-19, 2006.



MARZINEK, A.; NETO, A. F. A motivação de adolescentes nas aulas de Educação Física. In: II Congresso Internacional de Pedagogia do Esporte, 2005, Maringá. Anais do II Congresso Internacional de Pedagogia do Esporte, Maringá, 2005.

Pedagogia de Projetos a Educação do Futuro





INTRODUÇÃO

A pedagogia de projetos é uma forma de aprendizagem que busca a aprendizagem reflexiva, onde o educando deixa de ser um invólucro de armazenamento de informações passando a ser um indivíduo compreensivo com competência suficiente para escutar, observar, pensar e questionar os mais diversos campos do conhecimento.



CONTEXTO SÓCIO CULTURAL

O contexto onde foi desenvolvido o trabalho do estágio supervisionado foi uma sala de sétima série da Escola Municipal “Prof. Giuseppe Carnímeo”, onde pude trabalhar juntamente com a Professora de Educação Física Maria Lúcia. A escola está inserida em um bairro de periferia da cidade de Barretos, onde a maioria da população é carente.

A escola não tem por hábito o trabalho com projetos, percebi que existe uma tentativa em realizar estes trabalhos, que inicialmente são complexos para serem trabalhados, porém a partir do momento que os educandos compreendem o processo de elaboração se tornam participantes ativos da dinâmica.



RELATO TEÓRICO

O trabalho do professor na pedagogia de projetos deve estimular a aprendizagem e auto-confiança, criar e estruturar momentos de aprendizagem dinamizar e animar as situações de aprendizagem.

Para isto afirma Paulo Freire (2006, 39):

“Por isso é que, na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. O próprio discurso teórico, necessário à reflexão crítica, tem de ser de tal modo concreto que quase se confunda com a prática. O seu “distanciamento” epistemológico da prática enquanto objeto de sua análise, deve dela “aproximá-lo” ao máximo.”





A pedagogia de projetos é uma forma de o educando atuar como protagonista da aprendizagem segundo Demo (2000) a sala de aula é um espaço onde se produz conhecimentos, oportunizando a construção da pedagogia da autonomia e excluindo a pedagogia da dependência, onde o educando se torna menos dependente do professor, tem mais consciência crítica e principalmente reconhece e valoriza suas capacidades e habilidades.



RELATO DA EXPERIENCIA

O trabalho iniciou com a solicitação para a autorização do estágio supervisionado, seguido da observação do grupo onde ocorreria o estágio.

Para a escolha do tema do Projeto sofri com certa dificuldade no trabalho com os educandos, muitos se recusavam a participar, porém finalmente conseguimos elaborar o tema que ficou definido como “Alimentação e Atividade Física”.

Ofereci aos educandos uma variedade de fontes de pesquisa relacionadas ao tema elencado, neste momento percebi que os educandos gostavam muito de pesquisar, porém de forma involuntária, eles pesquisavam descobriam novos conhecimentos em relação ao tema sem nem sequer tomar conhecimento do que estavam realizando.

O trabalho do planejamento e da elaboração do índice realmente foi complexo, os educandos não compreendiam os objetivos do trabalho, porém fui orientando e ao poucos fomos encontrando meios de elencar nosso trabalho.

No processo de contextualização tive a grande sorte em escolher um tema atraente e de um autor conhecido, o texto foi “O peso da Adolescência” do Dr. Dráuzio Varela, fato que atraiu bastante a atenção dos educandos, foi um momento muito gratificante quando eles começaram a estabelecer relações entre o texto, a realidade deles e o projeto que estávamos desenvolvendo.

Conversamos também sobre a Interdisciplinaridade, onde ficou muito claro que nenhuma disciplina existe sozinha, que todos conhecimentos estão realcionados, que em nosso trabalho poderíamos nos utilizar da educação física para elaborar exercício, matemática no cálculo das calorias, química na composição dos alimentos, biologia nas reação do corpo em relação a atividade física e a alimentação.

O momento da instrumentalização e da dialogicidade, foi o momento que mais falhei, apresentei tabelas calóricas, tabelas com atividades e seus gastos energéticos, eles ficaram impressionados com o quanto é difícil a queima de calorias. Neste dia fiquei muito triste comigo mesma, acredito que teria surtido mais efeito se tivesse realizado uma tarefa bem simples, ter levado para cada um uma bala ou bombom, e ter proposto uma atividade a ser desenvolvida até queimar as calorias obtidas com o alimento oferecido, tenho certeza que eles iriam adorar e ficaria bem mais ilustrativo, porém a gente aprende errando.

A sistematização e a totalidade foi um momento bom e ruim ao mesmo tempo bom, pois ofereci como forma de trabalho a elaboração de cartazes relacionados a boa e a má alimentação e a prática de atividades físicas e o sedentarismo, tarefa que foi feita com facilidade, porém quando solicitei uma pequena redação sobre o assunto foi lamentável, primeiro não queriam fazer, insisti e depois percebi o porque da recusa, eles redigem mal e com grande dificuldade, cometem erros ortográficos primários além da gramática sofrível.

A criticidade foi realmente compensatória, orientei em relação a crítica construtiva e me senti muito feliz com a elaboração de questões coerentes ao cotidiano deles e também críticas relacionadas ao projeto.

Na orientação para a apresentação aproveitamos os cartazes que havíamos elaborado anteriormente e cada grupo ficou responsável por explicar uma situação do problema elencado.

A apresentação ocorreu tranquilamente entre o grupo, um grupo explicou sobre má alimentação, outro sobre o sedentarismo, outro sobre a prática de atividades físicas e outro sobre a alimentação adequada.



PROPOSTA PEDAGÓGICA

Infelizmente não tive acesso ao projeto político pedagógico da escola, porém tanto a professora Maria Lúcia quanto a vice- diretora Luciana, aprovaram a minha proposta de projeto, afirmando que a mesma estava de acordo com a proposta da escola e da secretaria de educação, ou seja uma proposta construtivista.



RESULTADOS E ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Ao final dos trabalhos percebi que todos estavam satisfeitos com os resultados, é claro que a participação não foi integral do grupo, o que seria o ideal. Porém acredito que naquele momento foi lançada uma semente que poderá germinar.

Acredito que o resultado deste trabalho não seja verificado agora, tendo em vista que tudo foi uma grande novidade tanto para mim quanto para os educandos, o que ficou de todo trabalho foi mais uma lição que somente a experiência e a vida pode trazer, somos capazes de realizar, idealizar e aprender, quando digo somos capazes me refiro a mim mesma e aos estudantes, pois acredito que mais aprendi do que ensinei, por mais que pareça o contrário.



CONCLUSÕES FINAIS

A pedagogia de projetos me ensinou muitas coisas novas, que devemos valorizar e incentivar em nosso educandos competências como, curiosidade, utilização e recriação do conhecimento, questionar, ter opinião própria, elaborar auto aprendizagens, trabalhar em equipe de forma cooperativa, adaptação sem perda de autenticidade, saber responder ao estímulo imediato, aceitar as diferenças intelectuais, compreender a sistemática dos fatos que compõem um todo, comunicação, interação, integração, auto controle, conhecimento e estima.

Não é fácil iniciar os trabalhos com a pedagogia de projetos, acredito que para trabalho cotidiano é preciso que haja um trabalho prévio que estimule o educando de forma a que ele idealize e realize o projeto sem nem sequer tomar conta do trabalho, quando este perceber ele já fez o projeto e está gostando do que e como o faz.

Porém é preciso modificar muito além da intenção do professor em sua metodologia de ensinar, é preciso que a escola e a sociedade estejam preparadas para esta metodologia.

A escola precisa se reorganizar de forma reflexiva o formar seus professores para esta reflexão, porém é preciso salientar a atentar para os modelos os quais estamos acostumados, ou seja, transformar nossos paradigmas.

A organização curricular deixaria de ser elencadas em conteúdos ou programas e atenderia os objetivos, os ciclos de aprendizagem seriam plurianuais e não anuais, os grupos seriam flexíveis e não homogêneos, os projetos aconteceriam de forma pluridisciplinar e não uma aprendizagem segmentada (PERRENOUD 2004) .

Todas estas mudanças não são fáceis, temos um modelo que e seguido há tempos, porém nada impede que as mudanças ocorram, é preciso semear os saberes buscando novas reflexões que oportunizem uma formação efetiva e competente de nossos educandos.

REFERENCIAS

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 34ª edição. São Paulo: Paz e Terra, 2006.



DEMO, Pedro. Saber Pensar. 2ª edição. São Paulo: Cortez, 2000.



Perrenoud, Philippe : Professores Reflexivos em uma escola reflexiva. 3.ª ed. São Paulo: Cortez, 2004.